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Escrito por Soraia às 14h36
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Reger as palavras como a nona sinfonia.

Dou inicio ao dó maior, iniciação da melodia.

Tons que ouço ao redor captado pela alma.

Ruídos suaves como crescimento musical.

 

Idéias morrem e outras ressurgem do nada.

Momentos mágicos dão sensação de prazer.

Um piano velho, uma maça na janela solitária.

Movimentos de dedos que soltam sons, sons.

 

Escuto a noite quieta e inquieta componho versos.

Olhos fechados! Meu interior faz silencio. Silencio.

Estou dentro de mim perfeitamente absorta e leve.

Completo-me com o toque de uma música. O dó.

 

Suavemente palavras sussurram em meus ouvidos.

Coloco-as no papel como se fossem partituras e ecos.

Versos líricos que atravessam a eternidade do vento.

Adoro isso: “eternidade do vento”. Sinto os versos líricos.

 

Hinos! Sons que vem de Deus regido por anjos barrocos.

É o tempo dizendo que o outono vem das montanhas.

Tempo que nunca morre sem razão, que nasce pelo vão.

Poemas feitos por toques musicais regida pelo maestro.

 

 

 

                                          Soraia



Escrito por Soraia às 00h28
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CAUSA JUSTA

 

Abri uma ata! Com algumas clausulas a redigir,
julgamento à distância!!! Sentença julgada,
Tenho direitos adquiridos!!! Minha liminar! Direito de ir.
Embargo sua dor! Lanço um edital meio apressada.

Eu juro! Falar somente a verdade! Que saudade,
me julgo sem custas!!! Data vênia ! Recorro a você.
Sou condenada a te amar! Pura vaidade,
um crime a parte!!! Minha conduta! Meu parecer.
 
Faço acordos! Envio-lhe um mandato urgente,
as minhas leis impressas em normas! Aquele artigo.
Tenho pendências! Quero ver muita gente,
estou presa em regime aberto! Sem inimigos.
 
Amar sem justa causa! Meu decreto-lei,
tenho habeas corpus! Testemunha ocular e seus gestos,
te nomeio em primeira instância meu rei,
homologo sua ata!!! Avoco seus pensamentos para meu universo.
 
Sou advogada dos meus sentimentos! Provimentos,
pré julgo minha vaidade!! Você! Tenho esse crime,
produção de provas! Sessões lavradas pelos meus momentos.
Você tem esse mérito! Meu acordo em te amar! Meu regime.

 

 soraia



Escrito por Soraia às 21h45
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Miro sua grafia e faço sua geografia em forma de versos.

Noto seu rosto forte! Um forasteiro distante, mas constante.

Viajo pela janela e meus olhos encontram em teus reversos.

Tudo se move ao encontro da cor lilás, destino alucinante.

 

Sim! Lembre-se que no inverno serei seu universo.

Calo contigo essa valsa que insiste ser tão arrogante.

Meu querer é amador, então danço sob esse sol perverso;

Invoco aos Deuses e faço vir a força do meu querer dissonante..

 

Eu canto como rio que desce às margens do meu sonho.

Bebo o vento e faço isso em movimento. Escrevo uma frase.

Observo minhas rugas e sorrio. Parte do breu que proponho.

 

Subo no telhado só para te alcançar e ao luar me exponho.

Estranho seria se a melodia não houvesse uma linda ênfase.

Noto então que a canção é toda para você e assim nada me oponho.

 

Soraia Santiago

 

 



Escrito por Soraia às 23h22
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Soneto para um novo amor

 

Mostro a boca molhada por um desejo oculto e instável

Faço de conta que te conheci hoje e hoje te amei assim.

Revivo meus dias sem risos. Um riso farto e maleável.

É o que solto quando me lembro de você em mim.

 

Sentindo arrepios e um desejo infindável  - inacabável.

Te solto consciente que vais voltar!  Para o meu fim.

Vingança essa desconhecida pelo seu paladar inimitável

A questão é: desejar-te sem você esperar nada de mim

 

Enquanto digito palavras obscenas nessa poesia impecável

Aguardo tua outra personalidade em pauta e curto seu sim.

Não vou querer-te simplesmente por você ser notável

Não! Simplesmente vou querer-te por você ser meu gim.

 

Escuto uma música, e, essa me leva até ao seu inexistente jardim

Contorno a música no meu corpo rouco de prazer dentro do seu ser.

Fecho os olhos e deixo-te entrar em meu discreto  e sensual camarim

 

Sorrio fazendo movimentos sensuais. A música me conduz ao teu festim

Para o meu deleite faço gestos dentro do tom que ouço, ao meu bel prazer.

 A questão é me desejar, a questão é desejar meus lábios de carmim

 

 

Soraia 

 

Imagens tiradas do google.



Escrito por Soraia às 00h44
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Escrito por Soraia às 13h20
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AUTOCRÍTICA

 

Avaliei-me, me critiquei, chorei, eu sei.

Mas não desisti de mim. Insisti.

Caminhei, orei e me encontrei.

Resisti, assisti de perto tudo que eu vi.

 

Fiz versos aos inversos nesse universo.

Tentei acertar sonhos, mas não te encontrei.

Estou certa! Só espere meu regresso.

Tive acertos, errei, mas não me incomodei.

 

A consciência tem carência e coerência.

O coração! Razão seguida de emoção.

Na sua ausência faço-te uma reverência.

 

Achei sua seqüência,  mas não foste freqüente.

Segui adiante, confiante e falante.

Quero o passado distante do meu presente.

 

Soraia

 



Escrito por Soraia às 21h42
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Senhor!!



Escrito por Soraia às 20h25
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Escrito por Soraia às 19h43
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GIRA, GIRA - O MUNDO.

 

Os dias passam, vento vai, pessoas correm para um lado.

O mundo gira, gira, gira... O tempo escorre entre os dedos.

As nuvens voam de encontro à luz refletindo cores celestiais.

A cidade se calada diante do brilho das águas claras do rio negro.

 

As folhas rodopiam com sons suaves de um violino solo

Calçadas sustentam caminhadas sem rumos certos.

O mundo gira, gira, gira novamente para o nada.

Meus olhos se fecham ao sentir a harmonia do vento.

 

A saudade invade meus pensamentos contraditórios.

Amar as belas coisas da natureza em uma sintonia difusa.

Beleza escura, rostos diferentes, o centro do universo

E o mundo gira, gira, gira ao meu favor! Como uma dança.

 

Passos em sincronia com as músicas – toque de um clarim

E o mundo! Gira, gira com o mundo. Gira giramundo.

Coreografadas por gestos quase humanos. Quase perfeitos.

Como um teatro, um solista e uma partitura madrigal.

 

Um barítono canta no meio do nada – em silêncio.

Acordes amplificados dão um ar de grandeza ao vento.

Então gira mundo, gira igual a um peão... Gira veloz.

A acústica leve encanta os refletores criando asas.

 

Ensaios líricos e eruditos fazem um carrilhão de emoções.

Um cantor no meio da multidão ecoa uma canção de efeitos.

Equalizo meu som juntamente com a flauta transversal.

Eu giro o mundo! Giro lentamente o mundo... O mundo.

 

O mundo...

 

Soraia 

 



Escrito por Soraia às 16h59
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A CANÇÃO QUE NÃO TOCA MAIS..

 

Uma canção para te cantar,
uma nova melodia no ar,
manifesto meus dias quentes
involuntariamente talho versos
Bacorejo uma solidão confiscada
a uma vitrina de letras decomposta
um fio de fetiche - um composição inusitada
Facilito meu presságio para o seu amor,
desaltero minha empáfia irreversível
meus olhos iluminam diante ao tempo de tua voz
é só o que sei do teu corpo.

 

Pelas imediações do tempo,
mensuro meu humor miscigenado,
um talismã enformado,
fracionado em uma cantata,
transcrevo trechos confluentes de poesias,
admito você em minhas linhas,
um pedaço branco de uma folha qualquer,
previno minha história à tua,
não sei se combina com a cor,
esmiuço formas da sua vida ilegível
admiro sua busca incansável,
um fotograma espelhado pela sua grandeza.

 

Torno a te cantar - um silêncio invade,
mas a música não toca para você,
reconsidero meus sentimentos,
tão volúvel - tão intenso,
formalidades e praxes não me condiz,
um lance a mais para te conquistar..
em vão...
a minha canção não toca em você
nem te atrai....

 

Soraia
ciganita



Escrito por Soraia às 16h55
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Sem título (para um grande amor)

 

Querendo-te vou perdendo para o mundo.

Meus pensamentos são tão constantes.

Inconstantes são meus atos! Atos cruéis.

Deixo-me levar pela música que você toca.

 

Toca fundo em mim. Toca dentro de mim.

Danço ao som do seu tom. É o vento

Deixo fluir vendo o tempo passar por ai.

Pensativa!  Vou seguindo meus momentos.

 

Vejo as pessoas. Vejo-as caminharem

As direções são opostas entre nós. Retrós.

Embora tenhamos os mesmos objetivos brancos.

Mas o que me impede de sermos felizes?

 

Não é brinquedo, é segredo do meu dia a dia.

Eu abro a janela e vejo o sol! Sol da madrugada.

Sol da matéria, sol da tempestade. Sol do meu eu.

Vejo-o transitando determinado sem rumo certo.

 

Tento dar-lhe um caminho, mas você me ignora.

Tento amá-lo sem limites, sem mistérios, sem pudor.

Mas a chuva molha meus cabelos pretos já sem cor.

Então o mundo gira supostamente às avessas.

 

Meu rosto lúcido chora e deixa marcas profundas.

Minha boca se retrai, mas espera um beijo seu

Nada é tão importante quanto sua presença.

Mas sua ausência de cor contamina meu eu.

 

Assim entrego-te meu amor gregoriano.

Permito-me ser tua, permito-te no meu coração.

Afasto pensamentos que me impedem de ser feliz

E vou seguindo-te cuidadosamente em silencio.

 

Soraia

 



Escrito por Soraia às 14h18
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BEIJA BEIJA FLOR

 

Se o beija flor te falasse o que eu queria te dizer.
Falaria somente do meu amor! O que tenho por ti.
Dia frio! Dia cinza! Sem você por perto no aberto.
Reservo-lhe meu momento! Quero você aqui.


 
Quero! Quero sim!  Aqui comigo, dentro de mim.
Somente assim!  Sem mascara e sem amarras.
Sem barras e ameaças! Apenas venha assim.
Quero-te para fazer meus versos! Quero-te.


 
Se um pássaro sobrevoar teu universo.
Sou eu que te rondo pelas palavras infinitas.
Entrelinhas escritas! Escritas na primavera.
Aquarelas de cores variadas! Alternadas.


 
Musicalidade inversa nos meus sonhos.
Irreverente e sutil eu te procuro aqui.
Eu sei que habitas no mundo! Mas eu te acho.
Suponho e permito que preencha meu vazio.


 
Jogo ao mar meus sentimentos! Os que eu tenho.
Espero que ao contemplar as águas veja essa miragem.
Viagem  e razão! Horas pensadas e refletidas.
Isso é minha vantagem! Acordo pensando em você.


 
Escuto os sons da vida! Mas penso no que fazer.
Reabilito prosas para te oferecer nesse dia.
Faço-lhe versos com o meu próprio tom.
As rosas estão florescendo no meu jardim.


 
Durmo na sua noite! Ah! Quem me dera.
Estar contigo agora quando faço esses versos.
Quem me dera! Quem me dera estar por ai.
Sou esse pássaro que canta no seu amanhecer.


 
Beija! Beija- flor que vem beijar sua  flor.
Canta! Canta sabiá! Espia e vem pra cá.
Voa! Voa no meu jardim que agora tem flor..
Faça-me ninho! Faça-me jardim assim.


 
Soraia

 



Escrito por Soraia às 14h51
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UMA FANTASIA REAL

 

Mergulho fundo nas suas músicas certas.

Velejo em tuas palavras frias e obsoletas.

Esfrio ao te ver olhando para ela, aquela.

E assim me vejo em plena roda viva.

 

Um vilão fantasiado de cenas surreais.

Alguém me disse que você é bem real.

Mas é inevitável sentir que não o vejo.

Mesmo assim desejo-te sem um aval.

 

Assim vou seguindo teus passos. Passos largos.

Envolvo-te em meus laços vagarosamente.

Uso palavras coloquiais, uso palavras normais.

Visto-me de palhaço e faço-te sorrir levemente.

 

Conheço as propostas dita a elas. Não sinceras.

Prefiro o vento norte na boca do vento.

O meu amor por você vai se tornando forte.

Mas temo a morte, essa que vai me levar.

 

Tento de todas as maneiras não te perceber,

A sorte torna-me escrava, vejo-te imparcial.

E percorro o tempo só para te encontrar.

As horas passam sem sentido. Tempo crucial.

 

Soraia

 



Escrito por Soraia às 12h26
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MORTE FATAL

 
Tudo se transforma em pó, o pó da vida

No escuro das órbitas – um vazio inerte.

Catástrofes mundiais em fases finais.

Morte, vida, abandonos e fomes


 
Drogas em evidências globais e tais.

Violências mortais sem preconceitos.

Conceito racial inócuo – o nada e a existência.

Vácuo, partículas intensas sem cores.

 
Amores sem reconhecimentos lógicos.

Elementos inadequados às orgias irracionais.

Invasão cósmica do espaço sideral - o mal.

Tempo determinado pela situação global

 
Rostos sem sorrisos, máscaras lentas e isentas.

Há falsidades em viver na luz, há verdades em vão.

Verdades fúteis. Beleza tola. Loucura senil.

Invalidade de gestos repetitivos e vazios.

 
E a gente vive nesse eterno vigor.

Achando que tudo que existe é amor

Ao menos se espera que vida nos mostre

Que uma parte de tudo também é só dor.

 

Soraia

 

Eu agradeço ao amigo Dado ...

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beijo carinhoso...Soraia



Escrito por Soraia às 09h33
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A DANÇA

 

Fito o infinito do infinito da luz

Percorro com olhares indiscretos

A nudez do tempo inexato e vasto.

Então! Cuido desse universo deserto.

 

Seminua escolho o som do vento.

Embriago-me de teu néctar azul.

Cheiro a flor de jasmim - do seu jardim.

Danço contornando seu corpo exato.

 

Uso as pernas como coreografias silentes.

Parada eu faço uma dança sensual lilás.

Mas o que me apraz mesmo é te olhar.

Olhar-te sem receios, olhar-te sem pudor.

 

Enquanto dou voltas sigo seu desejo

Desejo-te sem pressa, sem hora marcada

Danço com o infinito, o infinito da luz.

A dança que faço para você agora.

 

Soraia



Escrito por Soraia às 12h20
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Sou Soraia

Sou pisciana, e como toda pisciana é romântica,
acredita nas pessoas... no belo, na magia da vida.
Acredito nos olhares, nos sorrisos,nos gestos dos sentimentos e na simplicidade do amor.
Sou uma pessoa  calma, de bem com a vida. Meu sorriso,é
minha bandeira, minha alegria meu passaporte.
Adoro música e me envolvo em cada melodia.
Não sou poeta, mas escrevo o que sinto...
Amo  minha família e tenho 2 filhos que são amores da minha vida.
Essa sou eu.

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... E bêbada de infinitos sigo por ai..Não sabendo gostar de ninguém, por saber gostar de todos...Não sendo o que cada pessoa espera, por receio de que gostem de mim pelo lado errado. Com medo de receber, por julgar-me eterno devedor.

Arthur da Távola


Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

Clarice Lispector


Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.

Clarice Lispector


É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

Clarice Lispector

... Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido.

Dalai Lama

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

Fernando Pessoa

Amor cigano!!!

Cigana eu sou...
E neste lugar...
Sou livre como as aves...
Que voam por todo o lugar...
E sobrevivem a grandes temporais...
 
Em volta desta fogueira...
Embaixo desta Lua cheia...
Cantamos e dançamos...
A noite inteira...
 
O cigano canta...
E toca sua guitarra...
Onde as ciganas bem enfeitadas...
Dançam e tocam suas castanholas...
 
A musica hipnotiza...
Ciganas entram na roda...
Como é bom dançar...
Se sentir livre e poder cantar...
 
Escolhi esta noite...
Para neste reino...
Só por uma noite...
Um amor cigano...
Eu poder encontrar...

Vania Staggemeier

"Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas."

Saint-Exupéry


"Tu terás estrelas como ninguém... Quando olhares o céu de noite,
porque habitarei uma delas, porque numa delas estarei rindo, então
será como se todas as estrelas te rissem!!! E tu terás estrelas que sabem rir...  E quando te houveres consolado (a gente sempre se
consola), tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E abrirás
às vezes a janela à toa, por gosto... E teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu.
Tu explicarás então: " Sim, as estrelas, elas me fazem rir."

Saint-Exupéry

"Havia, em algum lugar, um parque cheio de pinheiros e tílias, e uma velha casa que eu amava. Pouco importava que ela estivesse distante ou próxima, que não pudesse cercar de calor o meu corpo, nem me abrigar; reduzida apenas a um sonho, bastava que ela existisse para que a minha noite fosse cheia de sua presença. Eu não era mais um corpo de homem perdido no areal. Eu me orientava. Era o menino daquela casa, cheio da lembrança de seus perfumes, cheio da fragrância dos seus vestíbulos, cheio das vozes que a haviam animado."

Saint-Exupéry

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Soraia Santiago



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Florbela Espanca


Ódio?
 
Ódio?
Ódio por ele? Não...
Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto...
Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Como um soturno e enorme Campo Santo!
Ah! nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero senti-lo d’outra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!
Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena...

.

Saudades
 
Saudades! Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

.

A minha dor
 
A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal ...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias ...

A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve ... ninguém vê ... ninguém ...

.

Sem remédio
 
Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou ...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos da Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

.

Sonho morto
 
Nosso sonho morreu. Devagarinho,
Rezemos uma prece doce e triste
Por alma desse sonho! Vá... baixinho...
Por esse sonho, amor, que não existe!

Vamos encher-lhe o seu caixão dolente
De roxas violetas; triste cor!
Triste como ele, nascido ao sol poente,
O nosso sonho... ai!... reza baixo... amor...

Foste tu que o mataste! E foi sorrindo,
Foi sorrindo e cantando alegremente,
Que tu mataste o nosso sonho lindo!

Nosso sonho morreu... Reza mansinho...
Ai, talvez que rezando, docemente,
O nosso sonho acorde... mais baixinho...

.

"Estou cansada, cada vez mais incompreendida e insatisfeita comigo, com a vida e com os outros. Diz-me, porque não nasci igual aos outros, sem dúvidas, sem
desejos de impossível? E é isso que me traz sempre desvairada, incompativel com a vida que toda a gente vive."

.

"Imagino-me, em certos momentos, uma princesinha, sobre um terraço, sentada num tapete. Em volta...tanta coisa! Bichos, flores, bonecos...brinquedos. Às vezes,
a princesinha aborrece-se de brincar e fica, horas e horas, esquecida, a cismar num outro mundo onde houvesse brinquedos maiores, mais belos e mais sólidos"

.
 
Esquecimento
 
Esse de quem eu era e era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.

Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei… tateio sombras… que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

Descem em mim poentes de Novembro…
A sombra dos meus olhos, a escurecer…
Veste de roxo e negro os crisântemos…

E desse que era eu meu já me não lembro…
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos…!

.

Amar
 
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!

Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

.

Eu
 
Eu sou a que no mundo anda perdida
Eu sou a que na vida não tem norte
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada...a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida
E que o destino amargo, triste e forte
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!

Sou aquela que passa e ninguém vê
Sou a que chamam triste sem o ser
Sou a que chora sem saber por quê

Sou talvez a visão que alguém sonhou
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Clarice Lispector


'Ele disse: não chore que chorar enfraquece.
Eu disse: mas às vezes é como a chuva que se precisa quando tem estiagem demais
e tudo fica muito seco.'

.

'Ela era de leve como uma idiota, só que não o era. Não sabia que era infeliz. É
porque ela acreditava. Em quê? Em vós, mas não é preciso acreditar em alguém ou
em alguma coisa - basta acreditar. Isso lhe dava às vezes estado de graça. Nunca
perdera a fé'

.

'Quanto a mim, tenho que lhes dizer que as estrelas
são os olhos de Deus vigiando para que tudo corra bem.
Para sempre. E, como se sabe, 'sempre' não acaba nunca.'

.

'Eu sempre quis atingir um estado de paz e de não-luta. Eu pensava que era o
estado ideal. Mas acontece que - que sou eu sem a minha luta? Não, não sei ter
paz.'

.
 
'Santa Catarina de Gênova dizia que 'quando Deus quer penetrar uma alma,
abandona-a antes completamente'

.

'Eu peço a Deus tudo o que eu quero e preciso. É o que me cabe. Ser ou não ser
atendida - isso não me cabe a mim, isso já é matéria-mágica que se me dá ou se
retrai. Obstinada, eu rezo. Eu não tenho o poder. Tenho a prece.'

.

'E aquelas quedas - como as de Cristo que várias vezes caiu ao peso da cruz - e
aquelas quedas é que começavam a fazer a sua vida'

.

'Lóri estava triste. Não era uma tristeza difícil. Era mais como uma tristeza de
saudade. Ela estava só. Com a eternidade à sua frente e atrás dela. O humano é
só. Ela quis retroceder. Mas sentia que era tarde demais: uma vez dado o
primeiro passo este era irreversível, e empurrava-a para mais, mais, mais! O que
quero, meu Deus. É que ela queria tudo.'

.
 
' Não era à toa que ela entendia os que buscavam caminho. Como buscava
arduamente o seu! '

.
 
' Eu não digo que eu tenha muito, mas tenho ainda a procura intensa e uma
esperança violenta '

.

'Sou hoje outra mulher. E um minuto de segurança de teu amor renderá comigo
semanas. Sou outra mulher.'

.
 
'O que é preciso é não ir demais contra a onda. Isso é uma forma de lutar:
esperar, ter paciência, perdoar, amar os outros. E cada dia aperfeiçoar o dia.'

.
 
'Precisar é sempre o momento supremo. Assim como a mais arriscada alegria entre
um homem e uma mulher vem quando a grandeza de precisar é tanta que se sente em
agonia e espanto: sem ti eu não poderia viver.'

.

' Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a
vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. '

.

' E o seu amor que agora era impossível - que era seco como a febre de quem não
transpira era amor sem ópio nem morfina. E 'eu te amo' era uma farpa que não se
podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.'

.

' Mas seu descompasso com o mundo chegava a ser cômico de tão grande: não
conseguira acertar o passo com as coisas ao seu redor. '

.

' ...olhou- se avidamente de perto no espelho e se disse deslumbrada: como sou
misteriosa, sou tão delicada e forte, e a curva dos lábios manteve a inocência.'

.

' - queria poder continuar a vê-lo,
mas sem precisar tão violentamente dele.'

.

'Sobre cada dia ela se equilibrava nas pontas dos pés, sobre cada frágil dia que
de um instante para o outro poderia se partir e cair em escuridão. Mas ela
milagrosamente o atravessava e exausta de alegria e cansaço chegava a dormir
para o dia seguinte surpreendida recomeçar'

.

'...Mas da Lua ela não tinha receio porque era mais lunar que solar e via de
olhos bem abertos nas madrugadas tão escuras a Lua sinistra no céu. Então ela se
banhava toda nos raios lunares, assim como havia os que tomavam banhos de sol. E
ficava profundamente límpida.'

.

'Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de
vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal
beco-sem-saída.'

.
 
'Eu vivo em carne viva, por isso procuro tanto dar pele grossa a meus
personagens. Só que não agüento e faço-os chorar à toa.'

.

'E quando notou que aceitava em pleno o amor, sua alegria foi tão grande que o
coração lhe batia por todo corpo, parecia-lhe que mil corações batiam-lhe nas
profundezas de sua pessoa. Um direito-de-ser tomou-a, como se tivesse acabado de
chorar ao nascer. Como? Como prolongar o nascimento pela vida inteira?'

.
 
'Ser-se o que se é, era grande demais e incontrolável. Lóri tinha uma espécie de
receio de ir longe demais. Sempre se retinha um pouco como se retivesse as
rédeas de um cavalo que poderia galopar e levá-la Deus sabe onde. Ela se
guardava. Por que e para quê? Para que ela estava se poupando? Era um certo medo
de sua capacidade, pequena ou grande. Talvez se contivesse por medo de não saber
os limites de uma pessoa'

.

'E tudo era muito para um coração de repente enfraquecido que só suportava o
menos, só podia querer o pouco aos poucos'

.
 
'Acho que devemos fazer coisa proibida - senão sufocamos. Mas sem sentimento de
culpa e sim como aviso de que somos livres.'

.

'E doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta
beleza. Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca. E tudo isso ganhei ao deixar
de te amar'

.

'Minha verdade espantada é que eu sempre estive só. Eu e minha liberdade que não
sei usar. Grande responsabilidade de solidão. Quem não é perdido não conhece a
liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo minha solidão. Que ás vezes se
extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa
glória intíma que na solidão pode se tornar dor. E a dor silêncio. Guardo o seu
nome em silêncio. Preciso de segredos para viver.'

.
 
'E vejo que sou intrinsecamente má.
É apenas por pura bondade que sou boa'

.
 
'O hábito tem-lhe amortecido as quedas. Mas sentido menos dor, perdeu a vantagem
da dor como aviso e sintonia. Hoje em dia vive incomparavelmente mais sereno,
porém em grande perigo de vida: pode estar a um passo de estar morrendo, a um
passo de já ter morrido, e sem o benefício de seu próprio aviso prévio.'

.

'O que obviamente não presta sempre me interessou muito.Gosto de um modo
carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um
pequeno vôo e cai sem graça no chão.'

.

'Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.'

.

'Ah Deus, e que tudo caia sobre mim,
até a incompreensão de mim mesma em certos
momentos brancos porque basta me cumprir e
então nada impedirá meu caminho
até a morte-sem-medo,
de qualquer luta ou descanso me levantarei
forte e bela como um cavalo novo.'

.
 
'Tudo estava preso no seu peito. No peito que só sabia
resignar-se, que só sabia suportar, só sabia pedir perdão, só sabia
perdoar, só aprendera a ter a doçura da infelicidade, e só aprendera
a amar, a amar, a amar.'

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Estrela Perigosa
 
Estrela perigosa
Rosto ao vento
Barulho e silêncio
leve porcelana
templo submerso
trigo e vinho
tristeza de coisa vivida
árvores já floresceram
o sal trazido pelo vento
conhecimento por encantação
esqueleto de ideias
ora pro nobis
Decompor a luz
mistério de estrelas
paixão pela exactidão
caça aos vagalumes.
Vagalume é como orvalho
Diálogos que disfarçam conflitos por explodir
Ela pode ser venenosa como às vezes o cogumelo é.
No obscuro erotismo de vida cheia
nodosas raízes.
Missa negra, feiticeiros.
Na proximidade de fontes,
lagos e cachoeiras
braços e pernas e olhos,
todos mortos se misturam e clamam por vida.
Sinto a falta dele
como se me faltasse um dente na frente:
excrucitante.
Que medo alegre,
o de te esperar.

.
 
A descoberta do amor
 
'...Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em
sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa.
Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras
coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso
fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os
americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda
de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com
o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma
mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E
também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta,
pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que
poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me
contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de
saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta
brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se
continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas
feminino.
Pois juro que a vida é bonita.'

.
 
Vitória nossa de cada dia
 
'Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira.
Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso
considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as
coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não qeremos passar por
tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não
temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído
catedrais e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos
tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso
seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos
diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado
associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado
nos salvar mas sem a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser
inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhcer sua
contextura de ódio, de amor, de ciúme, e de tantos outros contraditórios. Temos
mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de
nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso
amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.
Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos
no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos adoraro por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos
falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmo e
para que no fim do dia possamos dizer 'pelo menos não fui tolo' e assim não
ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não
sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa
candura. Temos-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos
a vitória nossa de cada dia.'

.

A lucidez perigosa
 
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém

.

"Era como se Ulisses tivesse uma resposta para tudo isso e resolvesse não dá-la
— e agora a angústia vinha porque de novo descobria que precisava de Ulisses, o
que a desesperava — queria poder continuar a vê-lo, mas sem precisar tão
violentamente dele. Se fosse uma pessoa inteiramente só, como era antes, saberia
como sentir e agir dentro de um sistema. Mas Ulisses, entrando cada vez mais
plenamente em sua vida, ela, ao se sentir protegida por ele, passara a ter
receio de perder a proteção — embora ela mesma não soubesse ao certo que idéia
fazia de "ser protegida": teria, por acaso, o desejo infantil de ter tudo mas
sem a ansiedade de dever dar algo em troca? Proteção seria presença? Se fosse
protegida por Ulisses ainda mais do que era, ambicionaria logo o máximo: ser tão
protegida a ponto de não recear ser livre: pois de suas fugidas de liberdade
teria sempre para onde voltar."

.
 
'Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de
ser. O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta
pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me
levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a
qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira
chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para
eu imediatamente defendê-la. [...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo?
Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a
palavra que o exprima.É pouco, é muito pouco.'

.

'Meu Deus, me dê a coragem de viver 365 dias e noites, todos vazios de tua
presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como plenitude.
Faça com que eu seja a tua amante humilde, entrelaçada a ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o
amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de te amar, sem odiar as tuas ofensas à minha
alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse
plena de tudo. Receba em teus braços o meu pecado de pensar

.

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta do passado,
que o que mais queremos é sair do sonho e voltar no tempo.
Sonho com aquilo que quero.
Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida
nesta, as outras virão
e nela só tenho uma chance de fazer aquilo que quero.
Tenho felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas
que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar
os erros e as decepções do passado.
A vida é curta,
mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar porque em um belo dia "se morre"

Willian Shakespeare

O espelho não me prova que envelheço
Enquanto andares par com a mocidade;
Mas se de rugas vir teu rosto impresso,
Já sei que a Morte a minha vida invade.

Pois toda esta beleza que te veste
Vem de meu coração, que é teu espelho;
O meu vive em teu peito, e o teu me deste:
Por isso como posso ser mais velho ?

Portanto, amor, tenhas de ti cuidado
Que eu, não por mim, antes por ti, terei;
Levar teu coração, tão desvelado
Qual ama guarda o doce infante, eu hei.

E nem penses em volta, morto o meu,
Pois para sempre é que me deste o teu.

.

Nem mármore, nem áureos monumentos
De reis hão de durar mais que esta rima,
E sempre hás de brilhar nestes acentos
Do que na pedra, pois o tempo a lima.

Pode a estátua na guerra ser tombada
E a cantaria o vil motim destrua;
Nem fogo ou Marte apagará com a espada
Vivo registro da memória tua.

Há de seguir teu passo sobranceiro
Vencendo a Morte e as legiões do olvido,
E os pósteros, no juízo derradeiro,
Hão de a este louvor prestar ouvido.

Pois até a sentença que levantes,
Vives aqui e no lábio dos amantes.

.

Não lamentes por mim quando eu morrer
Senão enquanto o surdo sino diz
Ao mundo vil que o deixo e vou viver
Em meio aos vermes que inda são mais vis.

Nem te recorde o verso comovido
A mão que o escreveu, pois te amo tanto
Que antes achar em tua mente olvido
Que ser lembrado e te causar o pranto.

Ah ! peço-te que ao leres esta queixa
Quando for minha carne consumida,
Não te refiras ao meu nome e deixa
Que morra o teu amor com minha vida.

Não veja o mundo e zombe desta dor
Por minha causa, quando morto eu for.

.

Dos seres ímpares ansiamos prole
Para que a flor do belo não se estinga,
E se a rosa madura o tempo colhe,
Fresco botão sua memória vinga.

Mas tu, que só com os olhos teus contrais,
Nutres o ardor com as próprias energias
Causando fome onde a abundância jaz,
Cruel rival, que o próprio ser crucias.

Tu, que do mundo és hoje o galardão,
Arauto da festiva Natureza,
Matas o teu prazer inda em botão
E, sovina, esperdiças na avareza.

Piedade, senão ides, tu e o fundo
Do chão, comer o que é devido ao mundo.

.

Quando no assedio de quarenta invernos
Se cavarem as linhas de teu rosto,
Da juventude os teus galões supernos
Pobres andrajos se tiverem posto,

Se então te perguntarem pelo fausto
De teus dias de glória e de beleza,
Dizer que tudo jaz no olhar exausto,
Opróbrio fora, encômio sem grandeza.

Mais mérito terias nessa usança
Se pudesses dizer: "Meu filho há de
Saldar-me a dívida, exculpar-me a idade",
Provando que a beleza é tua herança.

Fora tornar em novo as coisas velhas
E ver o sangue quente enquanto engelhas.

.

Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-me o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;

Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.

Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.

.

Quando observo que tudo quanto cresce
Desfruta a perfeição de um só momento,
Que neste palco imenso se obedece
A secreta influição do firmamento;

Quando percebo que ao homem, como a planta,
Esmaga o mesmo céu que lhe deu glória,
Que se ergue em seiva e, no ápice, aquebranta
E um dia enfim se apaga da memória:

Esse conceito da inconstante sina
Mais jovem faz-te ao meu olhar agora,
Quando o tempo se alia com a Ruína
Para tornar em noite a tua aurora.

E crua guerra contra o Tempo enfrento,
Pois tudo que te toma eu te acrescento.

Mendi

A madrinha desse blog.